Destaques da 11ª Tertúlia: Os Desafios da Gestão de Produção

Destaques da 11ª Tertúlia: Os Desafios da Gestão de Produção

Foram mais de 50 os participantes que marcaram presença na 11ª Tertúlia, sobre “Os Desafios da Gestão de Produção”, no dia 21 de março de 2018.

Ao contrário do habitual neste formato de evento que a Academia Samsys organiza, duas vezes por ano, nesta sessão contámos com 3 oradores – Mónica Afonso (Gerente na Marjomotex), Vítor Moura (representante da Mediasis) e Miguel Gomes (representante da Moutinho & Moutinho).

O mote geral do evento consistiu nos principais desafios da Gestão de Produção e como é que esses desafios podem ser contornados.

Samuel Soares foi, também nesta edição, o moderador do evento, tendo encaminhado o debate para temas como a personalização dos produtos, formas existentes de organizar a produção para atender à procura e ser competitivo, o papel da tecnologia na produção das empresas e ainda Processos de recrutamento e Gestão de Recursos Humanos.

De que falaram os oradores

Vítor Moura, representante da Mediasis (à esquerda), Mónica Afonso, Gerente na Marjomotex (ao centro) e Miguel Gomes, representante da Moutinho & Moutinho (à direita)

Personalização dos produtos

Trata-se de um processo tão complexo, que por norma existe um guião para cada produto.

O grau de exigência dos consumidores atualmente é altíssimo. Miguel Gomes esclareceu que antes os produtos tinham menos qualidade, mas os clientes não se importavam de esperar um ano, se fosse necessário. Hoje existe necessidade de criar uma marca e de a projetar, mas se virem o produto não associam à marca nem à qualidade que justifica um preço mais elevado. O cliente não quer pagar mais do que o normal, no entanto exige um atendimento personalizado.

Miguel acredita que a solução passa por melhorar o poder de argumentação. “O mais fácil é dar um tiro no pé e não vender a marca. Há que vender o produto com todas as características, pois se vender pelo preço não se tem hipótese“.

Mónica Afonso anunciou e refutou por que está Portugal bem visto lá fora.

“Quando conhecem Portugal, não preciso de argumentar preço”

Portugal está bem visto lá fora. “Seja pela qualidade, prazos, rigor ou critérios de qualidade. Em Marrocos e na Tunísia, por exemplo, queixam-se de falta de rigor e não conseguem distinguir a diferença. Nós procuramos clientes que procuram aspetos diferenciadores que não o preço”. Por outro lado, na Suécia e na Holanda não existe muita oferta. Daí que em Portugal estejamos a ser dos primeiros a ir para estes países procurar outros nichos”.

Formas de organizar a produção para atender à procura e ser competitivo

Sobre este tema fez-se a diferenciação entre as designações “Processo” e “Procedimento”, pelo que defendeu-se que “processo” consiste em ter uma determinada peça a sofrer alguma transformação e o processo passa por agrupar várias tarefas. Por outro lado, o “procedimento” pode ser por exemplo “quando chega reclamação do cliente. Trata-se da forma como reajo a certas situações”, esclareceu Vítor Moura.

Resistência ao conhecimento

Miguel Gomes partilhou que já assistiu a pessoas de 66 anos a aprender desenhos técnicos e que a formação se dá no dia-a-dia.

O debate foi intenso, a plateia esteve bastante envolvida com os temas abordados. Ao encontro do assunto sobre resistência ao conhecimento, a dada altura um dos participantes partilhou o seguinte: “quando chego à fábrica, as pessoas resistem ao novo conhecimento, estão sempre contra tudo”.

Papel da tecnologia na produção das empresas

Miguel Gomes defende que “antes de enveredar pela tecnologia, é preciso de persistente e insistir, para não fraquejar”.

Mónica Afonso reforçou a ideia de que é preciso cuidado na decisão de utilização de tecnologia e pensar na melhor escolha, pois “não adianta apostar nos códigos de barras e no touch screen, se depois não funcionam. Por exemplo, as células que vêm na roupa RFID são ótimas para ambientes produtos, desde que tenhamos consciência da sua utilidade e soubermos trabalhar com elas.

Foi partilhado durante o debate que ao  normalmente as pessoas com mais idade dizem que não percebem nada sobre tecnologia, quando lhes é apresentado um novo sistema informático, no entanto é comum verificar-se que essas mesmas pessoas têm e utilizam redes sociais, como o Facebook, o que prova que toda a gente pode e deve estar aberto a introduzir estes sistemas nas suas rotinas diárias.

Para que existam as sinergias fundamentais para um bom ambiente de trabalho, produtivo e saudável, deve existir sensibilidade por parte das pessoas que se encontram em posições de liderança, para que motivem a sua equipa. “Se mantivermos as pessoas motivadas, as coisas funcionam”, defendeu Miguel Gomes.

“A modulação dos processos tem de ser feita de baixa para cima e não de cima para baixo. Os talentos podem ser mais ou menos eficientes dependendo do sítio onde estão a trabalhar e da tecnologia que utilizam”. 

“Se tens um problema, não lhe atires tecnologia para cima. Estrutura primeiro o problema, resolve-o e depois sim pensa em tecnologia”.

Processos de recrutamento e Gestão de Recursos Humanos

Em jeito de concelho ao público mais jovem, Vítor Moura referiu “Gosto de ver a evolução da pessoa quando há prova de que é difícil”.

Relativamente ao funcionamento da empresa, muitas vezes a falta de recursos humanos afeta os resultados obtidos, pois cada colaborador faz dezenas de processos. E o que se denota, a tendência que foi partilhada, designadamente no ramo industrial, é que as pessoas mais antigas são mais empenhadas, em detrimento das mais jovens, que muitas se sentem confortáveis para facilitar, pois acham que no ramo existe muita procura de mão de obra. “Não existe cultura de trabalho, de sacrifício”.

“A necessidade aguça o engenho. Há muita oferta de emprego”.

Este fator criou muita polémica junto dos participantes, que partilharam as preocupações que advêm desta postura, com exemplos concretos: numa empresa exportadora é fundamental que existam pessoas que falem várias línguas, pois influencia na relação com os clientes. Depois de se estabelecerem essas relações, é importante mantê-las, mas se as pessoas vão embora, quem entra não os conhece e existe uma quebra, “a mudança é drástica”.

Como resolver?

Um dos principais conselhos que foram dados nesta Tertúlia foi criar o hábito da rotatividade de tarefas, para que quem está à mais tempo e as pessoas mais novas troquem ideias e com esse conhecimento poderá conseguir-se minimizar o caos após a saída de pessoas das empresas.

“Preservem os bons, porque são muito raros. Esses devem ser valorizados. Não tem a ver com formação, a maior parte das vezes, tem a ver com empenho”.

Seguiu-se o tema “penalizações” por erros individuais, pelo que se defendeu que deve refletir-se nos prémios ou na penalização em grupo, para estimular a regulação.

 

Caso pretenda esclarecer alguma dúvida sobre os temas abordados ou queira saber mais sobre softwares de gestão de produção, entre em contacto connosco!

  • 999 999 999